sexta-feira, novembro 2

† La Dix Croix †: Pt 1


Eu sei.Não sou nada diferente da maioria das garotas da minha idade.Aliás,porque seria?Sou bastante normal,por vários ângulos,e isso já me ajuda bastante.Tina sempre diz que normalidade demais significa sanidade de menos e,cá entre nós,isso faz um pouco de sentido.
            Sei que há vários dias não dumo e meu olho criou bolsas enormemente escuras e terríveis.Os livros antigos de minha vó estão,finalmente,se livrando da crosta de poeira em meu guarda-roupa.Eles tinham serventia agora,desde que meus sonhos malucos começaram a proliferar em minha mente e acabar com boa parte de meu senso crítico.
            Me encontrava em meu quarto,as exatas 3:00 da manhã.Não existem boatos muito bons a respeito desta hora.O que aconteceu,de fato? Aquele sonho atormentador me atingiu em cheio novamente.
"A mulher se aproximava.Cabelos esvoaçados com a fria e leve brisa do inverno.O Vestido,que outrora fora de seda,não mais restava vestígios de um tecido.O sangue que brotava de sua têmpora escorria delicadamente,com a doçura que lhe acalantava a dor.Ela gritava,mas nada se ouvia.Como em velhos filmes mudos,a expressão dela bastava.Doia,e ela queria isso.Aliás,mais do que tudo.A dor significava que ainda estava viva.E ela estava disposta a tudo.
            Deitada na macia relva,ela cravava as mãos em seus peito até retirar por completo a pele e a carne que o encobriam.E o sangue jorrava.Até que arrancou,com um só e terno golpe,o coração.E o ofereceu,majestosamente,a qualquer puritano que ali passasse,como forma de pagamento pelos inúmeros pecados cometidos."
            É claro que tinha algum significado.Aliás,segundo minha mãe esses pesadelos eram comuns na família.Vovó já me contou histórias e elas eram realmente parecidas com meu sonho.Sinceramente,era o meu próprio sonho.Cansei de conversar com ela por isso.Nunca adiantou.Se bem que vovó era capaz de fazer um ritual que purificava a alma contra esse tipo de coisa.Um dia eu até tentei ,e  funcionou.Não fosse Mark e sua mania por filmes de terror idiotas.Fala sério,o sangue é tão falso que parece suco de morango.
            Meus pensamentos subtamente voaram quando ouvi três golpes em minha porta.
            _ Mark?O que quer?-perguntei,esperando por respostas.Mas nada.Resolvi perguntar de novo:_ Mark,seu sem graça,Não estou afim de levantar para te ameaçar de morte!-Disse,com irônia.
            Os gopes se propagaram novamente e eu cobri minha cabeça.O que mais deveria fazer? Não sou nenhuma mocinha de filme de terror para sair por aí perguntando porque disso as exatas três da manhã.Para você que não sabe o porque de eu tanto falar neste horário,dizem que é o inverso do nascimento de Cristo ( 15:00).Seria,assim,a hora em que demônios consideravam melhor para tirar o sono de pobres almas alheias.Neste caso,eu.         
            Por exatos cinco minutos,nada aconteceu.Apenas era possível ouvir meus suspiros amedrontados.Consegui,enfim relaxar.Mas isso não durou nada.Um baque profundo foi a ação seguinte.E minha porte,literalmente,caiu.Pude ouvir e não foi nada legal.Agora estava ali.Eu e aquele tipo de ser sobrenatural habitando o mesmo quarto.Não pude evitar a ofegação.Aliás,meu coração batia como nunca antes.Minhas mãos suavam frio.Você pode se perguntar:será que ficou só nisso?Quisera eu que tivesse ficado.Mas,o inesperado é algo comum em ocasiões como esta.Algo pesado e confuso puxou minha coberta,me deixando indefesa.Não pude abrir os olhos.Aliás,quem poderia?
            Meu Deus,porque comigo?As mão impertinetes,alcançaram meus olhos e forçaram minhas palbebras até eu não aguentar mais de dor.Abri,pois,meus olhos,algo que nunca deveria ter feito.
"Era estranho.A perfeita imagem do mal estava ali.Amedontradora e maquiavélica.Seu rosto era tão branco quanto se pode imaginar.Olhos grandeus,não mostravam as córneas.Apenas um a escuridão estava ali.Seu cabelo era incrivelmente reto e liso,com uma aparência suja.Seus dentes,a seus dentes.Eram dispostos da seguinte forma:Fileira de baixo contra as de cima.Pontiagudos e assustadores.Quem encontrasse tal ser,em sua plena paz de vida,na teria mais o que viver.Talvez,jamais viveria em paz."

(...) Continua