Eu sei.Não sou nada diferente da maioria
das garotas da minha idade.Aliás,porque seria?Sou bastante normal,por vários ângulos,e isso já me ajuda bastante.Tina sempre diz que normalidade demais
significa sanidade de menos e,cá entre nós,isso faz um pouco de sentido.
Sei
que há vários dias não dumo e meu olho criou bolsas enormemente escuras e
terríveis.Os livros antigos de minha vó estão,finalmente,se livrando da crosta
de poeira em meu guarda-roupa.Eles tinham serventia agora,desde que meus sonhos
malucos começaram a proliferar em minha mente e acabar com boa parte de meu
senso crítico.
Me
encontrava em meu quarto,as exatas 3:00 da manhã.Não existem boatos muito bons
a respeito desta hora.O que aconteceu,de fato? Aquele sonho atormentador me
atingiu em cheio novamente.
"A mulher se aproximava.Cabelos
esvoaçados com a fria e leve brisa do inverno.O Vestido,que outrora fora de
seda,não mais restava vestígios de um tecido.O sangue que brotava de sua
têmpora escorria delicadamente,com a doçura que lhe acalantava a dor.Ela
gritava,mas nada se ouvia.Como em velhos filmes mudos,a expressão dela
bastava.Doia,e ela queria isso.Aliás,mais do que tudo.A dor significava que
ainda estava viva.E ela estava disposta a tudo.
Deitada
na macia relva,ela cravava as mãos em seus peito até retirar por completo a
pele e a carne que o encobriam.E o sangue jorrava.Até que arrancou,com um só e
terno golpe,o coração.E o ofereceu,majestosamente,a qualquer puritano que ali
passasse,como forma de pagamento pelos inúmeros pecados cometidos."
É
claro que tinha algum significado.Aliás,segundo minha mãe esses pesadelos eram
comuns na família.Vovó já me contou histórias e elas eram realmente parecidas
com meu sonho.Sinceramente,era o meu próprio sonho.Cansei de conversar com ela
por isso.Nunca adiantou.Se bem que vovó era capaz de fazer um ritual que
purificava a alma contra esse tipo de coisa.Um dia eu até tentei ,e funcionou.Não fosse Mark e sua mania por
filmes de terror idiotas.Fala sério,o sangue é tão falso que parece suco de
morango.
Meus
pensamentos subtamente voaram quando ouvi três golpes em minha porta.
_
Mark?O que quer?-perguntei,esperando por respostas.Mas nada.Resolvi perguntar
de novo:_ Mark,seu sem graça,Não estou afim de levantar para te ameaçar de
morte!-Disse,com irônia.
Os
gopes se propagaram novamente e eu cobri minha cabeça.O que mais deveria fazer?
Não sou nenhuma mocinha de filme de terror para sair por aí perguntando porque
disso as exatas três da manhã.Para você que não sabe o porque de eu tanto falar
neste horário,dizem que é o inverso do nascimento de Cristo (
15:00).Seria,assim,a hora em que demônios consideravam melhor para tirar o sono
de pobres almas alheias.Neste caso,eu.
Por
exatos cinco minutos,nada aconteceu.Apenas era possível ouvir meus suspiros
amedrontados.Consegui,enfim relaxar.Mas isso não durou nada.Um baque profundo
foi a ação seguinte.E minha porte,literalmente,caiu.Pude ouvir e não foi nada
legal.Agora estava ali.Eu e aquele tipo de ser sobrenatural habitando o mesmo
quarto.Não pude evitar a ofegação.Aliás,meu coração batia como nunca
antes.Minhas mãos suavam frio.Você pode se perguntar:será que ficou só
nisso?Quisera eu que tivesse ficado.Mas,o inesperado é algo comum em ocasiões
como esta.Algo pesado e confuso puxou minha coberta,me deixando indefesa.Não
pude abrir os olhos.Aliás,quem poderia?
Meu
Deus,porque comigo?As mão impertinetes,alcançaram meus olhos e forçaram minhas
palbebras até eu não aguentar mais de dor.Abri,pois,meus olhos,algo que nunca
deveria ter feito.
"Era estranho.A perfeita imagem do
mal estava ali.Amedontradora e maquiavélica.Seu rosto era tão branco quanto se
pode imaginar.Olhos grandeus,não mostravam as córneas.Apenas um a escuridão
estava ali.Seu cabelo era incrivelmente reto e liso,com uma aparência suja.Seus
dentes,a seus dentes.Eram dispostos da seguinte forma:Fileira de baixo contra
as de cima.Pontiagudos e assustadores.Quem encontrasse tal ser,em sua plena paz
de vida,na teria mais o que viver.Talvez,jamais viveria em paz."
(...) Continua